Brasileiros mais velhos ampliaram sua presença no mercado de crédito nos últimos anos. O movimento também chegou à inadimplência e, em alguns recortes, vem acompanhado de dívidas de valor significativamente maior.
Idosos endividados: por que a dívida cresce com a idade?
A mudança aparece com ainda mais força na inadimplência. No cartão de crédito, consumidores de 36 a 70 anos representavam 29% dos inadimplentes em 2021 e chegaram a 46,7% quatro anos depois. No empréstimo pessoal, a participação dessas faixas etárias passou de 30,4% para 56,9% no mesmo período.
Os percentuais não significam que mais da metade das pessoas entre 36 e 70 anos esteja inadimplente. Eles mostram que, dentro do grupo de consumidores com pagamentos em atraso, as faixas etárias mais altas passaram a ocupar uma parcela muito maior.
Essa mudança coincide com a expansão do acesso ao crédito entre consumidores mais velhos e acende um sinal de alerta para o peso que o endividamento vem assumindo entre as faixas etárias mais altas.
- Consumidores acima de 36 anos ganharam peso na inadimplência e nos cartões, aumentando muito sua participação entre 2021 e 2025.
- Valor médio da dívida cresce com a idade: R$3,4 mil (18-24) até R$41 mil (65+), segundo dados de Ribeirão Preto.
- Fatores: maior acesso a crédito, renda e responsabilidades crescentes, apoio a familiares e uso de novo crédito para pagar dívidas anteriores.
- Priorizar diagnóstico das dívidas, evitar empréstimos para quitar outras, negociar parcelas e buscar descontos para reduzir o peso no orçamento.
O crédito deixou de ser um mercado predominantemente jovem
O estudo “Neobanks: a nova fonte de crédito 2026”, da Equifax BoaVista, analisou mais de 165 milhões de CPFs ativos entre janeiro de 2021 e dezembro de 2025. A pesquisa também contou com dados de opinião de 2.296 usuários da Acordo Certo.
Em 2021, pessoas acima dos 36 anos respondiam por pouco mais de um terço dos cartões de crédito ativos na base analisada. Em 2025, já representavam praticamente metade.
O maior avanço ocorreu entre consumidores de 36 a 50 anos, cuja participação aumentou 7,3 pontos percentuais. Na faixa de 51 a 70 anos, o crescimento foi de 6,3 pontos. A mudança acompanha a própria ampliação do acesso aos serviços financeiros digitais.
Bancos e aplicativos que inicialmente atraíram sobretudo consumidores mais jovens passaram a fazer parte da rotina de públicos mais diversos, enquanto clientes que aderiram a esses serviços anos atrás também avançaram de faixa etária.
Com mais acesso ao crédito, porém, aumenta também a exposição a seus riscos. É nesse ponto que os dados de inadimplência ganham relevância.
No empréstimo pessoal, por exemplo, mais da metade dos inadimplentes da base analisada em 2025 estava entre 36 e 70 anos. No cartão, essas mesmas faixas já respondiam por quase metade dos consumidores com pagamentos em atraso.
O dado revela uma mudança de composição. Não permite concluir, sozinho, que envelhecer aumenta a probabilidade de ficar inadimplente, mas mostra que consumidores de faixas etárias mais altas passaram a ter um peso muito maior na composição da inadimplência.
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Em Ribeirão Preto, o valor da dívida cresce junto com a idade
Se o levantamento nacional mostra quem está ganhando espaço entre os consumidores de crédito e os inadimplentes, os dados de Ribeirão Preto ajudam a observar o tamanho das dívidas.
Entre janeiro e agosto de 2026, moradores de 18 a 24 anos registrados na base da Acordo Certo tinham uma dívida bancária média de R$ 3,4 mil. O valor subia para R$ 9,2 mil entre pessoas de 25 a 34 anos e chegava a R$ 16 mil na faixa de 35 a 44 anos.
A progressão continuava nas idades seguintes, com consumidores de 45 a 54 anos acumulando uma dívida média de R$ 25 mil e chegando a R$ 31 mil entre aqueles com 55 e 64 anos de idade.
No grupo com 65 anos ou mais, a média da dívida alcançava R$ 41 mil, quase 12 vezes o valor registrado entre os moradores de 18 a 24 anos. E o que ajuda a explicar o aumento do valor das dívidas conforme a idade avança?
O que ajuda a explicar dívidas maiores com a idade
Uma das explicações está no próprio acesso ao crédito. Quem acaba de entrar no mercado de trabalho costuma ter renda menor, histórico bancário mais curto e limites mais baixos.
Ao longo dos anos, esse cenário pode mudar, com acesso a empréstimos de valores mais elevados. Ao mesmo tempo, também aumentam as responsabilidades financeiras, com despesas de moradia, manutenção da casa e até o apoio a filhos e netos que ainda dependem daquela renda.
No levantamento de Ribeirão Preto, Eduardo Cavalheiro, coordenador de marketing da Acordo Certo, apontou justamente o apoio financeiro a filhos e parentes como um dos fatores que podem pesar sobre o orçamento de consumidores mais velhos.
O resultado é que essas despesas passam a disputar espaço no orçamento com parcelas de empréstimos e financiamentos. Quando a renda já não é suficiente para cobrir todos os compromissos, contratar um novo crédito para pagar uma dívida anterior pode parecer uma saída.
Foi o que aconteceu com Maria de Fátima, de 68 anos, ouvida pelo G1 em Ribeirão Preto. A aposentada contou que passou a contratar novos empréstimos para quitar dívidas anteriores, até que as parcelas se acumularam e ela já não conseguiu manter os pagamentos.
Esse mecanismo ajuda a explicar por que uma dívida pode crescer rapidamente sem que tenha existido uma única compra de grande valor.
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Dívida alta não conta, sozinha, a história de quem deve
Embora o endividamento entre consumidores mais velhos esteja ganhando relevância nos levantamentos, esses números não devem servir como base para julgamentos sobre o comportamento de quem deve.
Em outros termos, endividamento e inadimplência não são sinônimos de consumo irresponsável. Uma pessoa pode recorrer ao crédito depois de uma perda de renda, para lidar com uma despesa inesperada ou para ajudar alguém da família.
Uma pessoa também pode assumir uma prestação que cabia no orçamento no momento da contratação e deixar de conseguir pagá-la depois de uma mudança financeira. Entre consumidores mais velhos, algumas particularidades tornam esse cenário ainda mais complexo.
Quem chega à aposentadoria pode sofrer redução de renda sem conseguir diminuir, na mesma velocidade, as despesas acumuladas ao longo da vida. Em algumas famílias, a aposentadoria continua sendo uma das fontes de renda que sustentam a casa.
Como interromper o crescimento da dívida
Quando as parcelas já não cabem no orçamento, a prioridade é descobrir o tamanho real do comprometimento financeiro antes de contratar mais crédito.
Nesse sentido, é preciso reunir as dívidas, conferir os valores atualizados, identificar taxas, parcelas e vencimentos e calcular quanto da renda mensal já está comprometida.
A partir desse diagnóstico, é possível avaliar quais dívidas precisam ser priorizadas e se existem condições de negociação que reduzam o peso sobre o orçamento.
Em outras palavras, é melhor avaliar propostas de renegociação do que tomar um empréstimo para cobrir outro. Na Acordo Certo é possível fazer essa consulta e encontrar alternativas de renegociação com descontos que chegam a 99% do valor.
A renegociação pode ajudar a interromper o crescimento da dívida e reduzir o peso das parcelas no orçamento, abrindo espaço para que o consumidor reorganize as finanças de maneira mais equilibrada.


